Faz algum tempo que não pára para pensar nas suas escolhas e muito sinceramente tem sido difícil escolher. Ontem mesmo lembrara do comportamento de outros tempos e reparara que em nada se alteravam e que na verdade nem hoje após reflexão o fizera mas tinha consciência desse necessidade! No fundo sabia que amanha nada seria diferente. E apesar dos pesares ficava falando com ela! Era tão frágil mas já não mais. Era doce mas deixava que as amarguras se enredasse por entre os sentidos. Era tão determinada, mas encontrou a teimosia. Era tão cheia dela mesma e agora vazia de tudo. Era confiante, mas aprendera a recear. Era um passado cheio de medos que aprendera a enfrentar, tão bonito que lhe fazia ter cuidado com o presente. Não desejava descuidar... Era, mas já não mais! Havia mascarado os sentidos e pintava telas de cores vivas, florescentes e vistosas, mas carregava no seu peito os mais profundos tons de negro pastel. Já não era mais ela e como dizia! Onde esta o mim que já não sou mais mim? No fundo tinha uma enorme facilidade em entrar, mas saia de igual jeito, muitas vezes achava ser invisível, até que ... Até que os olhos do amor a fitaram e esta ficara presa para sempre entre ela mesma, fora passado e tinha até conseguido viver um presente, mas ficou presa no momento em que ele, violentamente lhe roubara os sentidos. Ele espalhava por aí que ela não era normal! E ela dizia que não, não era normal como ele também não o fora. Não o era e nesta roda de velocidade louca que ninguém consegue parar, eles se perdiam.Largavam as mãos e passavam a ser apenas mais um, mais um que não aguentou a pressão e rapidez das ilusões do mundo, os para sempre criavam vertigens, cegueira, doença... Ela já fazia algum tempo que falava com ela e nem achava qualquer doidice nisso, pois a menina que tinha sido merecia o respeito da mulher que se tornava, fora um percurso longo, perigoso, mas que lhe trouxera compensações, muitas compensações! É verdade que o perdera a ele,logo ele que amava profundamente, mas ele também a perdera de igual forma e na verdade eles podiam nunca mais se encontrar, mas não seria menos verdade que a qualquer momento podiam reencontrar-se. Era nos sonhos que todos os dias carregava a menina que fora a mulher que se tornara e toda rigidez da mulher que sempre desejava ser. Nunca se perdia daquele labirinto e fora dele existia apenas um jardim cuidado, apreciado que largava o seu aroma. Que aguardava românticamente seu jardineiro, não, não era um jardim abandonado, era apenas romântico, perfumado e profundo.Era apenas a imagem discreta do complemento daquela paragem do reflectir das suas escolhas do lembrar das suas brincadeiras de uma era que afinal nunca passou. E presente, ele por fim... Estende a mão e beija com os olhos numa realidade imaginada entre os mim e para mim que ambos sabiam que seria a sua razão de vida. Não existia ninguém mais, apenas o pensamento a imaginação fora o abandono que lhe trouxera a loucura, mas o porquê desse abandono, o porque dessa loucura? Não havia fins à vista nem rota traçada apenas um marinheiro prestes a mudar, porque as vezes é só uma atitude e tudo muda para sempre e quando essas vezes não acontece tudo parece permanecer, mas na verdade ao nosso redor continua só existindo um mim. E embora sendo apenas observador, era amor que sentia e crescia diariamente, hora após hora, minuto após minuto e embora sendo ela uma mera diva observada, era amor tudo que lhe dava! Ambos ficavam no impasse do beijo que nunca acontecia e a arte de amar não terminava e o medo do avanço fazia recuar e sempre que recuavam dava vontade de beijar, era o inicio de um fim, que a ambos fazia continuar chamando um pelo outro em silêncio das suas orações até que o amor se fazia arte, não em perfeição! Mas perfeitamente amor. Ao reencontrar-se tiraram da tela as emoções, partilhando-as e não deixaram mais que estas coubesse no peito era desse jeito que sentiam o eterno, no transpirado, na coragem de se olhar de frente e mergulhar profundamente um no outro. Ela reparara ao centrar-se que ele não era uma escolha já fazia muito tempo e ele estava consciente, viver sem ela, não era vida!



 "COUBE DENTRO DE UMA EMOÇÃO MINHA SEM TAMANHO NEM MEDIDA", pag.98;99;100;101- O`DECLAMADOR, edições.                                                                                      Vieirinha Vieira 

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