- Outra ou mais duas ou três.

- Isso, isso . Nós gostamos tanto de ouvir as tuas histórias, lendas ou mitos ...

- Vá-lá Lola, estamos a pedir-te. Sempre tens tantas histórias para nos contar.

Ao fim de tantos anos de uma vida difícil, finalmente tudo se tornará mais clean... mais fácil ...

mais translúcido. Lola nem sabia se estava a aproveitar, ou se estava tão engolida pelo momento

do qual já fazia parte, um processo do qual já não se conseguia desembaraçar!

- Está bem meninas. Está bem... Mas prometem que por hoje é a última?

- Certo! Mas tem de ser uma das boas, vou filmar tudo para colocar no Tik Tok.

Lola lá se preparava para contar.

- Um , dois, três...

- Mas o que é isto? Queremos que contes uma história e não os segundos como se fosse um

relógio. Estás a querer enganar-nos? Somos crianças, não somos imbecis.

- Calma...calma ... meninas ... cá vai :

- Um , dois, três era só a introdução. Posso ?

- Oh , desculpa. É que estamos ansiosas .

- Um, dois, três e cá vai a nova história de …

… Era uma vez a Florzinha, uma menina nascida e criada na mais bela cidade de Portugal,

passava a vida dela a estudar, fotografar, dançar e correr pela praia. Onde um dia cruzou com a

Modernidade, uma menina lá do Porto, que todo mundo diz, que todo mundo sabe!

Ficaram amiguinhas ... nas noites quentes de verão elas saíam à rua para partilhar uma com a

outra as suas alegrias, desejos e vontades, às vezes, saudades e tristezas mas não se deixavam

levar por isso.

Quando deram por ela, tinham um grupo. Florzinha estava tão feliz, finalmente fizera amigos

mas no dia 17 daquele mês tudo mudou.

Começaram as mensagens anônimas de um alguém. Florzinha não contara a ninguém mas

observava todo o mundo profundamente.


Até que descobriu quem era que escrevia coisas a seu respeito. A certa altura ela confrontou a

pessoa dizendo que sabia quem era, mas a outra pessoa negou, e aí começaram as retaliações.

Florzinha ficou muito triste, irritada , enraivecida mesmo, porque estavam a tentar enganá-la,

fingindo interesse nela, quando não havia interesse absolutamente nenhum. Foi aí que Florzinha

se lembrou de fingir que estava também ela apaixonada.

Mas que confusão deu. Vingança, perguntam vocês?

- Ah?!

Foi só com o intuito de ver o caráter da outra pessoa e até onde este era capaz de ir .

Florzinha teve que pagar um preço demasiado alto mas estava disposta para desmascará-los, e

sabem que mais?

Ninguém disse que não valia o preço que esta estava disposta a pagar. Foram essas pessoas que

elevaram o seu valor!

Dizem que a qualidade do ferro se vê quando este vai ao lume, assim foi, a prova para Florzinha.

Enquanto a Florzinha se desapegava das pessoas que tanto amava, aprendera a amar-se como

nunca. Ela apostara em si, dedicou-se como nunca, empreendera.

Sim, alguns, muitos, não acreditavam nela. Não acreditaram que conseguisse abrir o seu

negócio, ajudar milhares de pessoas e ainda ensinar outros a fazer o mesmo.

Aos poucos Florzinha, aplicava cada uma das suas ideias, anotava num pequeno caderno e

escrevia o seu valor. Depois, começava a transpor para a realidade, o que parecia apenas uma

ideia, começou a ser, a Flor!

A empresa da Florzinha , dedicava-se a ajudar as pessoas e a embelezar suas vidas .

O lema?

" TODOS OS PORMENORES CONTAM "

Ela pegava em cada uma das vulnerabilidades das pessoas e transformava-as em forças. Depois,

começou a criar parcerias, muitas parcerias. Parcerias essas que solidificavam o seu negócio.

O silêncio em toda a volta era convidativo, e o respeito sentido com bastante rigor.

Ela não vendia livros ou cadernos, ela vendia amor através deles, ela não marcava encontros ou

viagens, ela cumpria promessas!

Ela não via uma máscara, ela reconhecia a humanidade. Por isso, todos os seus produtos

acabavam sendo um sucesso. E ela sorria. Através do seu sorriso criavam-se espaços de partilha

e momentos onde era permitido respirar, ela era muito mais que inspiração, era o sol que todos

queriam encontrar.

Mas há dias que o sol teima em nascer e alguns que as nuvens não o permitem mostrar...

Quando o seu negócio foi apresentado ao mundo Florzinha, nem queria acreditar de tão feliz e

contente. Aos domingos cantava o fado, só para os males espantar.

Florzinha não esquecera o passado mas fazia questão de não o fazer acomodar.


Ela sorria e voltava a desenhar sem parar, consigo os cadernos para vender ou apontar, e sempre

que solicitada pelo mundo, estava disposta a salvar. Poucos conheciam a Flor até a notícia se

espalhar, tornar-se viral.

A Flor do Animal

“Pessoal, pessoal, a flor vai lançar um livro dizendo que é um perigo, se nela alguém acreditar!”

Ela estava cheia de vida, cor e amor para compartilhar.

A flor limitava-se a desdobrar, entre as suas ideias e o melhor que só ela podia dar.

Nos dias em que a flor não aparecia a todos preocupava, mas ela estava fechada no quarto a

criar.

O seu aroma engarrafado com partículas de amor e carinho enfeitiçado, ela era de encantar.

O que sabia fazer a FLOR?

TRABALHAR!

Mas nas férias ela conhecia ilhas e cidades, os ventos, mares, hotéis e universidades. Ela corria o

mundo e o mundo fazia questão de enviar seus convites, porque a Florinha era a menina que se

tornou mulher, ela vendia a ideia, se transformara no bem que todos queriam!

Realizada e feliz vocês perguntam. Mas o que eu quis dizer era que ela era uma sonhadora, uma

senhora de si mesma, convidada de uns e de outros. Flor se fazia presente mesmo quando não

estava lá.

UM , DOIS, TRÊS...

O Porto se tornara pequeno demais para alguém com tanta alegria.

O conto mágico da feiticeira que com a sua pequena varinha transformava a vida inteirinha.

Depois dos dentes lavar e ouvir uma historinha, para sonhar coisas boas toda a noitinha.

Vamos agora todos para a caminha!

Vieirinha vieira (A Flor do Animal)

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