O que mudará ?

 Depois de anos engavetada. Consegue surpreender com uma segunda obra inesperada no curto espaço de tempo, com âmbitos diferentes e desta vez sem qualquer heterónimo usando apenas um pseudónimo. Não tendo como foco o desejo de ser conhecida mas denotasse a vontade de ser reconhecida pela sua bondade e capacidade, pelo esforço entre o sentimento e a criatividade, onde o saber nos pode levar, curar e ajudar.

 Se até então, via a mulher exterior ficou patente a mulher interior, quanto a mim, timidamente e frágil pela nudez e revelação. Uma analogia da mulher conhecida e reconhecida até então, forte e corajosa!

 Salientando o lado humano e sua vontade de saciar a ignorância mesmo sabendo que a literatura não mata a fome, isto porque nem todos a procuram. Acredito que um equilíbrio de sabedoria seria a salvação de muito ser humano mas sabendo o quanto a realidade está distante deste equilíbrio, do qual me faço crente. 

 Num ambiente de várias frentes devido a bivalência da autora, calmo e íntimo, tal como a conhecemos ela presa pela elegância e frontalidade, logo a hipocrisia não é presença assídua nos seus espetáculos. Tudo formal muito embora orgânico, com a timidez patente no sorriso onde por hábito esconde cada grau do seu saber. Um tanto ao quanto sarcástica e mordas sem se esconder por isso, onde a sua astucia talvez a deixe menos à vontade e o sorriso muitas vezes seja apenas parte do seu nervosismo. Com brio e silêncio no profundo de cada palavra citada!

 Quanto a mim nunca se esta preparado para o que quer que seja, sabendo o grau de complexidade, basto e rigoroso que é a envolvente do campo literário com toda certeza a autora consciente disso mesmo, demonstrou alguma inconsciência pela sua audácia na linha entre a loucura e o génio, a distancia entre ser bom e parecer bom. 

 Pois, esta deixa-nos marcado o carinho e cumplicidade de vivências dos seus rebentos, afinal, dois livros são como dois filhos. Filhos esses também presentes com solidez e apoio na sua aventura.

 Com tudo, deixa no ar a sua capacidade de corresponder e a grandeza de poder evoluir, em aberto...

 Fica o bicho! O que se seguira?

 Em silêncio tudo se representa de uma forma uníssima, fica o abafo de tantas palavras ecoadas ao mundo, dispersamente com respostas em vazio que não deixa de nos dizer tudo e cavando por preencher.

 Entre o dinheiro e o poder, as crenças de ser ou não ser.

 A ausência de muitas caras conhecidas faz salientar as características mais humanas da autora. 

 O seu poder de análise, revindicação e de não levar desaforo para casa. Muito embora, já consiga encontrar nela uma mudança significativa e madura em relação à sua postura perante a visibilidade pública. É que às vezes as pessoas são humanamente cruéis

 Sem dúvida uma alma nua, uma mulher vestida de armadura ! 

 A singularidade da obra:

 Uma obra sem dúvida polémica. Não só pelo seu conteúdo onde confronta temas como a morte e o suicídio mas porque não extingue as probabilidades, vai mais longe, chegando ao amor, passando pelo sagrado e abrindo as diferenças, pondo em causa as falsas bondades.

 A autora sem qualquer referencia literária cai no mundo da literatura onde é apontada a sua ortografia como grande gafe, no entanto toca em feridas profundas da sociedade, chegando a todos e quaisquer níveis de classe social. Muito embora a autora reaja de uma forma inteiramente despreocupada não é menos verdade que isso afastou o público leitor, nesta apresentação elaborada por especialistas, onde é exposta a dislexia da autora, e os presentes confrontados com o conhecimento desta. Tendo a Doutora responsável pela apresentação se desdobrando e focado em vários exemplos de poetas bastante conhecidos, tais como Florbela Espanca, Sofia de Mello Breyner e Fernando Pessoa, como muitos outros que fundamentam o conhecimento e sabedoria, sentimento e subterfúgio desta tão controversa autora.

 O livro apresentado sem qualquer correção e sem a presença da editora em causa, leva-nos a refletir, o caus que causou literariamente um pequeno livro de bolso que politicamente muitos desejam abafar mas que a autora faz questão de deixar como exemplo para uma sociedade inteiramente corrosiva. Sociedade, que a autora deliberadamente muitas vezes faz questão de cutucar!

 Apesar do número de vendas registado pela autora não passar de simbólico, existe um número considerável de especialistas debruçados em volta do seu misticismo, criatividade e realidade. E se na primeira obra a autora mostrou ambiguidade da curiosidade com sentimentos que a faziam florescer e renascer entre a luz e a sombra, nesta a autora desnuda e vai no mais fundo do âmago humano. 

 Regista-se que a obra gera grande polémica pela data escolhida pela editora, apesar da sua ausência. Audácia mais uma vez apresentada pela autora em confirmar o que já vinha sendo adiado por diversos meses. Saliento novamente a ausência de estado da autora em relação a qualquer tipo de crítica "está feito, está feito, agora é prosseguir, aguentando com as consequências. " Palavras da própria, prosseguindo suas verdades e Sonhos.

 Sem qualquer hipocrisia e livre de rótulos a autora limitou-se a transcrever poeticamente o que lhe vai na alma. Uma visão minuciosa, mesquinha mas certeira e circundante, acima de tudo realista no campo de visão da autora, o que provoca uma certa polémica ao público em geral, que aponta autora como arrogante, egoísta e excêntrica.

 Livro estruturado pela autora e com uma estrutura peculiar a qual não houve interrogações.

 E peculiarmente a autora cita: "Que as mentiras alheias não alterem as nossas verdades. Essa é a verdade que doí!"

 Se por um lado a autora deixa-nos curiosos por um outro preocupados. Entre a linha ténue da loucura ou de um novo génio. 

 

 Vieirinha Vieira  NOTA: 0/100 = 82% - (Curso de Crónica - Bloco IV)

 Crónica vs. crítica, editorial e comentário

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