Cara Vieirinha Vieira:
Boa tarde,
Espero que esteja bem!
Neste último Bloco do nosso curso praticámos o texto da crónica na tradição do aforismo filosófico entremeado com o mais puro dos jogos de linguagem em torno de metáforas que colocam um texto em movimento (Sensorial e intelectual).
O trabalho girava, tal como foi solicitado, em torno da rescrita da parte 1 e da parte 3 da crónica de Gonçalo M. Tavares que consta do enunciado.
A parte 1 poderia basear-se noutro par constituído pelas metáforas de "correr" e de "voar". A primeira entendida como iniciação e a segunda entendida como ilusão de tudo (já) se sabe e aprendeu. Veja-se o resultado do seu trabalho neste caso, transposto para a criança que se põe de pé e anda e, depois, encara uma luz (a "luz" que metaforiza o estar-no-mundo-agora-aqui e que no corolário do seu texto é metaforizado pelo potência da terra mãe: "saio de onde estou e vou mais longe como quem velozmente desfruta de uma enorme aventura./ O risco, rabisco e insisto./ Rasgo o céu e marco a terra!)
Verificamos que tentou seguir o mesmo tipo de texto sintético, aforístico e permeável às conotações, imprimindo ao discurso um tom muito exclamativo que sintetiza um convite e uma vontade de partilha imediata: "borear o vento e o tempo amigos da maturidade./ Ao correr sinto o tempo. Ao tempo sinto o vento./ Voar para lá do infinito e correr até o folgo se perder.".
Verificamos que tentou seguir a solicitada ideia de carrocel envolvente em que as pequenas frases funcionam sempre como alavancas das outras a que se coligam (e sem fechar excessivamente o texto): "Se corro fujo, voando liberto./ Em pleno ar corro velozmente, dou velocidade a vida./ Está em aberto o pensamento./ Correr faz-me forte, voar faz-me grande."
Verificamos ainda que tentou usar modos muito simples de ligar as metáforas de "correr "e de voar" a outros aspetos que escolheu para preencher o discurso criado; o final fala por si a esse respeito; releia-se este contraponto tão bem conseguido: ""E perder tempo correndo é levantar voo no vento. Experiência divina. Viver, percurso: o que é voar se não movimento com percurso./ E corro, corro, corro como uma esperança de chegar." (...) " Deslizo no incerto, certo do quanto é feroz o movimento, atento. E voo com sede de apreender, sede de sorver, sede de ser..."".
No que diz respeito à parte 3, ou seja, à segunda parte de teor mais conclusiva , verificámos que trabalhou de um modo muito maleável as quatro metáforas em presença: "correr" e "voar", por um lado; e "saber/aprender" e de "cair/queda", por outro lado. Ora releia-se esta parte que condensa muito bem esta tentação de abraçar, através da escrita, um legado mitológico que é ainda o nosso, hoje em dia: "Entre a largada, velocidade e corrida. O voo e a queda apreendida./ Sei que nada sei, mas sei, também que pararei, para aprender./ Enfrento medos, cicatrizo feridas mas não desisto./ Com o tempo corro, voando para lá do espaço e caindo como faço?/ Rapidamente/ Tal como vivo para a morte./ E contente voou. Sabendo!/ Aprendendo a correr, levantar e cair, sorrindo."
Por fim, constatámos o esforço levando a cabo no sentido de deixar `no ar´, isto é, em suspenso, concedendo ao leitor a possibilidade quase exclusiva de criar as suas próprias interpretações. A atitude afirmativa está no centro desta atitude de quem deixa para o leitor as respostas e os vínculos sucedâneos que um bom texto de crónica apenas deverá suscitar; ora releia-se: " É no para lá.../ Corro, caio, voo e sei./ Que encontro a ligação do que cá está./ Acreditando na inclusão dos meus sentidos./ Fazendo elos, um cadeado que prende mesmo que aparentemente liberdade seja paralelo a vida./ E raso aos paralelos, levanto, corro, voo, aprendo e caio.".
Em fim: tratou-se de um exercício particularmente conseguido neste teste final que é considerado, do ponto de vista da maleabilidade conceptual, o mais complexo do curso.
Em termos gerais, é inegável a qualidade com que a Vieira Vieirinha, mais uma vez, nos brindou. Foi uma deliciosa aventura e sinceramente, só tenho pena de que não haja mais dez Blocos pela frente!
Despeço-me, pois, até breve, sem que não possa deixar de lhe fazer uma sugestão (ver rodapé desta mensagem): os nossos cursos da sequência de escrita criativa literária!
Com amizade, estima e muito apreço, seu,
Luís Carmelo
Vieirinha Vieira - C/ muita GRATIDÂO
CRÓNICA = Comentário ao Exercício do Bloco X (Nota: 0/100 = 86%), seguindo o rasto das crónicas de Gonçalo M. Tavares
Media Final da FORMAÇÂO 82,40%



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