"Mortos de fome, humana"
Hoje o meu estado é sem estado nenhum
Hoje estou em plena pobreza,
Carregada de sentimentos
Não tenho por quem distribuir
Vejo-me obrigada a ir para a rua e conversar nua
Com o desconhecido
É um perigo...
Mas tenho de partilhar com alguém
O melhor que a gente tem
Eu trago comigo
Falo...
Falo dos meus problemas, cores do sol e dilemas,
Diversos temas, chegamos a fazer poemas
Como quem...
Não esquece, como quem merece
Esta vastidão humana que me despe e apedreja,
Mesmo à porta da igreja
Olhares ocos, tristes, maliciosos, invejosos...
Mãos cravadas, danadas, culpadas, dilaceradas...
Bocas sorridentes, desesperadas, contentes...
Ouvidos surdos, inventivos, com perigos...
Cheiros que matam de tão impregnada que a morte, está!
Sou o grito da vida
Na estrema pobreza do ser
Sou aquele que parece
O que nunca há-de ser
Sou nada de tão pobre
Sou rica de tão nada
Em cada pedrada um muro
Que a morte há-de desfazer
A vida há-de curar
Feridas...
Do prazer
De quem se julga
Rico sem o ser
Vieirinha Vieira ( Poetas d`hoje Colectânea - Grupo Poesia da Beira Ria, Aveiro. Pag. 122 e 123)



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