Não queria iniciar por escrever um simples oi, no entanto esse oi poderia dizer tanta coisa, espero que te encontres bem. Como deves compreender não podia deixar de escrever umas últimas palavras depois de tantos anos juntos e tantos mais sentimentos interiorizados que ficaram por dizer, sabes bem,  que o meu forte não é sentimentos apesar da minha habilidade com as palavras. Hoje tenho consciência dos meus erros e apesar de tantos momentos belos de companhia prazerosa, nem sempre soube valorizar a rotina e as provas da vida levaram tudo de bom que tínhamos. É! Talvez seja tarde para ver isso mas não para aprender… talvez eu nunca mais consiga recuperar mas escrevo-te para me recuperar a mim, talvez nunca me perdoem pelas minhas falhas mas eu preciso responsabilizar-me por elas, o talvez é palavra que nunca gostei mas para seguir em frente aprendi a olhar para ele de outra forma, talvez tu não me entendas mas eu sei os motivos que nos afastaram e o porquê de continuar a usar um talvez, talvez eu te amasse de verdade e nem dê-se por ela.

Quero que saibas o quanto é duro encarar os dias depois da verdade aflorar, as vezes que olho o teto do nosso quarto e recordo todas as lutas que travamos em conjunto. Procuro respostas mas elas não corrigem passado, volto-me, adormeço na dor do menino que ainda carrego e que tu supostamente tão bem devias conhecer.

Fico feliz ao saber que continuas refazendo a tua vida, que está, proporcionou o que desejavas, as gémeas trouxeram a notícia não quero que fiques zangada com elas, pois são nossas e precisam partilhar as suas vidas com aqueles que mais amam e ninguém melhor que eu e tu. Bem, eu quero continuar acreditar que assim é, por elas e talvez seja esse o mesmo motivo que me faz escrever-te e continuar… não pode ficar, sem sentimentos. Tenho como certeza que hoje tu tens tanta consciência como eu do nosso erro, inevitável!



Vieirinha vieira (jornada 8 - Pedro CHAGAS Freitas)


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