No fundo da gaveta 

Guardo no fundo da gaveta
Um amor que não esqueci
Guardo este sentimento
Do calor quando te vi

Na cómoda do meu quarto
Desarrumo o meu eu,
Que a vida se esqueceu
No fundo da gaveta!

Guardo o coração,
Como se fosse um botão,
Botão, que eu perdi.

Esqueci de remendar,
Para o peito agasalhar.
Este amor abotoar,
Ao casaco que vesti

Guardo no meu quarto
Na cómoda por arrumar.
O amor que teimo em não deixar,
Não anda mais aqui...

Este frio que me gela,
E me faz sentir tão pobre.
Neste meu casaco nobre,
No fundo da gaveta.

Onde guardo os teus braços,
Dos abraços que não dei.
Dos sonhos que perdi.

Hoje,
Arrumo a cómoda do meu quarto,
Abotoo o casaco,
Agasalho o que senti.

Hoje,
Prometi:
Não mendigar amor.
Não pensar mais em ti

Guardo no meu quarto,
As lágrimas que deixas-te,
Arrumo os sorrisos,
Bato a porta, e saí...

                                       Vieirinha Vieira ( na minha cómoda...Editora PAPEL D`ARROZ pag.118 até pag. 120) 

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