Rotina diária...

 Enviar mails.Receber mails.Responder mails. Nada de fantástico a assinalar até que a Internet parecia que não saia do lugar, sempre a vogar, sentada em frente ao computador com um calor de matar, a transpirar por todos os lugares possíveis e imaginários, não havia maneira de conseguir aceder ao seu email. Com tanto que fazer de imediato Georgina decidiu partir para outra tarefa, tinha mais coisas com que se preocupar e com os mails não haveria de haver assim nenhuma urgência, afinal...ali não era um hospital, amanha voltava a nostalgia habitual e tudo ficaria resolvido.
 Assim foi!
 O trabalho na empresa vai de bom a melhor as coisas estão a fluir e os miúdos estão bem na escola, o marido comentou-me ela mesma, no outro dia tivera uma promoção. Só faltava ela, disse-o em tão de desafio.Mas eu estava atenta!
 Passaram os dias e o trabalho aumentava. Georgina sempre pronta para corresponder as exigências pedidas, muitas vezes encontrei comigo a perguntar se ela seria assim tão perfeita? Sim! Ela se não era, estava muito próxima disso.
 De um dia para o outro começou a chover reclamações no escritório, depois seguiram-se os boatos, ofensas e outras coisas sucessivas, não estava a entender. Como devem compreender chamei a Georgina ao meu gabinete, pois tinha interesse em apurar responsabilidades. Fiquei tão desapontada com Georgina, dizendo não saber de nada daquela forma, seca e abrupta não demonstrando nenhuma vontade em saber, a empresa começou a obter problemas atrás de problemas e as dificuldades a começar aparecer até que Georgina, entra no meu gabinete e sem que eu lhe perguntasse o que quer que seja, diz: Já sei, já sei exactamente o que esta a acontecer!
 Alguém tem a minha password e entra no meu email, está a espalhar boatos e inventar montes de coisas em meu nome. Não sei quem é nem porque o faz mas todos os documentos que enviei nos últimos tempos estão expostos a público, juro que não fui eu!
 Quem é, quer prejudicar tanto a empresa como a mim! Coloque-se no meu lugar...Por favor!
 Eu pensei: O que pensar?
 Não queria ser injusta mas que história estava ela para ali a contar?
 Eu tinha de a despedir e nem ouvir suas desculpas. Andou a fazer asneira e agora arrependida queria arranjar desculpas, achava que eu não is descobrir a verdade. Mas eu já estava próxima dela...
 Fiquei zangada, não disse nada. Engoli o sapo em seco!
 Chamei um amigo por telefone, pela noite dentro começou a festa, pesquisa atrás de pesquisa e o seu computador, nada! Segundo esse meu amigo existia probabilidade de esta estar a falar a verdade mas era uma história muito mirabolante, porque motivo alguém tão inteligente ao ponto de sacar uma password, queria entrar no computador de outra pessoa singular ou até mesmo numa empresa tão insignificante, pois não passamos de mais uma entre tantas outras.
 Chamei! Ela já com as lágrimas nos olhos.Só dizia: Juro não fui eu.
 Lamento!
 Mas... Arrumou as coisas e saiu. Eu nem tive tempo de a abordar. Fiquei horas ali, já nem lembro se dormi por lá ou até se dormi...
Lembro ver alguém entrar no escritório e de me esconder.
 Mas de repente, fui resgatada por um braço, procuravam algo.
 Estava demasiado zonza.
 A ela nunca mais eu pus a vista em cima. Nem a ela, nem a eles. Quando os consegui convencer que não era a pessoa que procuravam.
 Foi no meio de toda aquela situação de desespero que vi o quanto ela estava a ser verdadeira, eles realmente andavam a chantageá-la e esta não podia dizer nada. Livrei-me cá de uma situação...
 Aproximei-me da sua secretária lamentando o facto de ter perdido desta forma uma boa funcionaria, assim... no fundo perderá uma amiga, do nada!
 Do nada, não!
 Ao pegar no livro de Eugénio de Andrade que esta esquecerá, um frio se apoderou da minha espinha. Um bilhete esquecido como se de um marcador se tratasse, revelava a sua identidade.
 Mas, será que tudo aquilo era mero acaso?
 O pânico se apoderou do meu eu. Incrédula, olho e volto olhar, algumas muitas outras vezes... Estava morta, morta há mais de 6 anos! Mas alguém a descobriu, aqui!
 Na verdade nunca conhecemos ninguém, principalmente aqueles que enterram os seus passados.
 O presente no escritório tem sido difícil de superar sem ela, hoje sei o porque de está ser tão importante na minha vida.
 Os laços se sentem com a alma e Georgina, fora a irmã Clara que perdi.
...morta há mais de 6 anos!


                                                Vieirinha Vieira ( Colectânea Poem`Art Vol.II - Grupo Literário Amigos e Poetas, Pag 529 até a 532 )

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